A modernidade, época de
conquistas, de aventuras, de descobertas, inaugurada no período entre as
Grandes Navegações dos anos 1400 e 1500 e a Revolução Francesa, é também a
época de uma nova mirada humana aos eventos naturais, à própria natureza. O
espaço natural representava o desafio, o perigo, o meio a ser desbravado, o
campo da pesquisa.
Com o surgimento da
cidade moderna e novas regulamentações regendo o convívio dos habitantes da
nova polis, teve início a estruturação do processo de cidadania com base em um
novo contrato social. Foi com o advento da modernidade e do surgimento do modo
de produção industrial que ocorreu o progresso científico, o crescimento da
mobilidade pessoal, o crescimento da produção industrial e a ampliação dos
assentamentos humanos.
A partir desse momento
o ser humano se via compelido a organizar-se em novas estruturas físicas,
concentrando-se em áreas menores e tendo de conviver com um volume maior de
seres humanos, os espaços naturais começavam a receber uma atenção especial. A
natureza passava a ser vista não apenas como um lugar a ser conquistado, mas
como um lugar de relação humana, onde o ser humano pode descansar,
distanciando-se da nascente neurose urbana.
O crescimento do
interesse pela história natural revelou muito sobre as conseqüências da relação
de exploração do homem com a natureza. A descoberta, a exploração e a
colonização de novas terras possibilitaram a abertura de espaço para
constituição e esboço da mentalidade ambientalista.
Ressalta-se entretanto
que o movimento ambientalista nasce na década de 60, período no qual ocorreram
grandes movimentos, como o dos hippies, a explosão do feminismo, o movimento
negro - Black Power -, o pacifismo, a liberação sexual e a “pílula”, as drogas,
o rock-and-roll, as manifestações anti-Guerra Fria e a corrida
armamentista/nuclear, e anti-Vietnã. O grande emblema, a chave desse momento,
foi o maio de 68, em Paris – as chamadas “barricadas do desejo”.
Pour
une planete plus bleu era o slogan, a palavra de ordem, a
frase-chave do movimento, “Queremos um planeta mais azul”.
No Brasil, vivíamos
tempos de regime militar, censura AI -5 ocorriam mobilizações estudantis,
guerrilhas, greves, efervescência acadêmica, os CPCs da UNE. Paulo Freire com
seu revolucionário método de alfabetização de adultos e a Pedagogia do Oprimido.
Surgiam o teatro de José Celso Martinez, Chico Buarque e Tomzé, Chacrinha,
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, os Novos Baianos, os
Parangolés de Hélio Oiticica, o tropicalismo- uma espécie de “guerra contra a
cultura oficial, de consumo fácil”.
1968 foi o ano que os
“velhos esquemas” foram colocados em dúvida, em discussão, e até mesmo
ridicularizados.
De acordo com Hobsbawn:
“O que 1968 trouxe à tona foi a extraordinária
aceleração das transformações sociais das décadas posteriores a 1945, que os
historiadores vão reconhecer como as mais revolucionárias da história mundial.”
É nesse caldo de
cultura que surge o ambientalismo. É na convergência de todos esses pontos que
surge o ambientalismo. O movimento ambientalista foi um produto de forças tanto
internas quanto externas a seus objetivos imediatos. Os elementos de mudança já
vinham emergindo muito antes dos anos 60; quando finalmente se entrecruzaram
uns com os outros e com fatores sociopolíticos mais amplos, o resultado foi uma
nova força em prol da mudança social e política.
O ambientalismo não é
tão somente uma leitura da realidade ecossistemática, ou da ecologia, ou dos
parâmetros biológicos da existência humana e natural. O ambientalismo carrega
consigo elementos revolucionários que trazem consigo a marca dos movimentos
ditos minoritários e alternativos.
O primeiro grande texto
a respeito das questões ambientais e dos limites para o desenvolvimento humano
foi publicado em Roma, em 1968, intitulado Os limites do crescimento, amplo
estudo sobre o consumo e as reservas dos recursos minerais e naturais e os
limites de suporte/capacidade ambiental.
Em 1972, em Estocolmo,
na Suécia, realizou-se a Primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente
Humano e Desenvolvimento, que adotou, mediante a Declaração de Estocolmo, um
conjunto de princípios para o manejo ecologicamente racional do meio ambiente.
Em 1977, realizou-se em
Tbilisi, na Geórgia, o Primeiro Congresso Mundial de Educação Ambiental, sendo
apresentados então os primeiros trabalhos que estavam sendo desenvolvidos em
vários países.
Em 1987, algo de novo
pairou no ar, com a publicação de Nosso futuro comum. E a realização da
Conferência Internacional sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Rio-92,
marcaria uma profunda mudança nos paradigmas que orientam a leitura das
realidades sociais e dos problemas que envolvem a produção e o consumo de bens
e serviços. Com a Conferência de 1992, o planeta passou a ser mais olhado, e de
maneira diferente.
Um grupo de
intelectuais reunidos em Lisboa elaborou um trabalho envolvendo questões
contemporâneas, como desenvolvimento, produção, globalização. O grupo de Lisboa
produziu o excelente Os limites da competitividade - um dos mais recentes
documentos com uma reflexão e análise das questões econômico-ambientais que
tocam o mundo contemporâneo. O trabalho realizado pelo grupo de Lisboa indica o
fim de um modelo hegemônico, na medida em que sugere, mediante a cooperação,
que os países desenvolvidos assumam um papel internacional – autocrítico - com
o objetivo de criar alternativas de crescimento internacional pactuado,
enveredando suas políticas para momentos articulados de cooperação global.
De acordo com as
leituras realizadas e temáticas dinamizadas pelos grupos, chegamos à conclusão
que essa disciplina só vem a somar sua produção riquíssima de conhecimento a
nossa bagagem acadêmica, valores e princípios que levamos para a vida inteira,
é muito interessante se atentar ao fato que os conteúdos dos diversos cursos
oferecidos pela universidade em algum momento se entrecruzam ao longo da
história não estamos isolados, a história como sendo um processo nos permite
avançar sempre em nossas descobertas e realizações.

Referencias
HOBSBAWM, Eric. Tempos Interessantes. São Paulo: Cia.das Letras, 2002.
www.google.com.br/search?q=modernidade
www.google.com.br/search?q=modernidade
Gostei muito da postagem do grupo... A intensão da disciplina é realmente mostrar que a Educação Ambiental não está somente preocupada com os aspectos biológicos do meio ambiente, mas também dos aspectos sociais, econômicos e culturais desse meio, e é justamente nesse ponto que percebemos como essa disciplina não interessa somente aos profissionais do ramo das ciências biológicas, como se pensam, mas sim para qualquer cidadão.
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